segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Promessas de segunda

Segunda-feira. Engraçado, nada foi prometido. Talvez por ser feriado e ela estar se sentindo como em um domingo, onde tudo é permitido, onde tudo pode ser adiado ou, até mesmo, por ter cansado de prometer...prometer...prometer!
Estava deitada ali no sofá de qualquer jeito, acabara de tirar o uniforme e ficara apenas de calcinha e sutiã. Odiava trabalhar em feriados! Tinha tantas coisas ainda para fazer mas, ficou ali, inerte. Não queria fazer nada, não queria se comprometer com exatamente nada.... não desejava lembrar de suas juras e principalmente de seus débitos com elas.
Todas suas promessas eram assim: Ah... na próxima segunda! Exceto no fim de ano, já que nem sempre a virada coincide com esse célebre dia. Agora ela pensa: Quantas desses contratos com o seu próprio ego foram cumpridos? Emagrecer, começar a malhar, se dedicar mais aos estudos, ser mais organizada, dormir menos, dormir mais, enfim, para quê sobrecarregar tanto a segunda-feira? Por que não a quarta? A sexta? Ou talvez o domingo! Não é ele o primeiro dia da semana?

Por fim ela promete esquecer dessas promessas de segunda. Ops! Esta aí mais uma promessa e em plena segunda-feira! Então ela aguarda, afinal, já é quase terça. Quem sabe nesse dia seus pactos surtam mais efeito.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Mais um na multidão

Conheci uma pessoa. Ou melhor, não conheci. Mas de qualquer forma, acho que isso não faz muita diferença no final das contas.
Estava esperando o ônibus de manhã assim como eu. Uma das poucas coisas boas de usar transporte coletivo, além de todo lenga lenga ambiental, é observar as pessoas. E devidamente protegida, é claro. Penso que uma das principais funções dos óculos escuros é exatamente essa: transportar você para uma espécie de "bolha" onde se pode observar a tudo e ainda se sentir invisível. Meio infantil, sei. Mas não deixa de ter um pouco de verdade.
Mas voltando ao caso... ônibus... óculos... o menino. Bem, lá estava ele com aquela cara de quem espera ônibus. A mesma daquela que todo mundo faz no elevador. Tipo "cara de paisagem" até aí nem tem nada demais. Na verdade, pensando agora, acho que o caso inteiro não tem nada demais. Só um menino com cara de paisagem que esperava o ônibus como todo mundo. Mas o que me chamou atenção nele foi o fato de achar que ele também tinha uma bolha. Só que ele tinha esquecido seu óculos em casa. Ou talvez tenha quebrado. Ou nem tenha. Sei lá. Só sei que eu estava invisível e ele não.
Pode ser que ele estivesse desejando meus óculos para ficar oculto na multidão também. Ou pode ser que eu esteja ficando doida, imaginando alguma relação entre um menino desconhecido, bolhas, óculos escuros, ônibus, ficar invisível, logo pela manhã. Ou não.
O que sei é que esses lugares com muitas pessoas fazem a gente divagar demais. Tenho que parar de tomar café e ficar com mais sono pela manhã.